
"Eu sei que há muito pranto na existência,
Dores que ferem corações de pedra,
E onde a vida borbulha e o sangue medra,
Aí existe a mágoa em sua essência.
No delírio, porém, da febre ardente
Da ventura fugaz e transitória
O peito rompe a capa tormentória
Para sorrindo palpitar contente.
Assim a turba inconsciente passa,
Muitos que esgotam do prazer a taça
Sentem no peito a dor indefinida.
E entre a mágoa que masc’ra eterna apouca
A humanidade ri-se e ri-se louca
No carnaval intérmino da vida."
Auguto dos Anjos.
Sei que já postei essa poesia antes, há um bom tempo, e o que me chama a atenção, é que vez por outra me vejo a lendo
Não sei o que tanto me fascina nesta poesia (obviamente sem considerar a sua própria composição), talvez a sua escola literária,
talvez por achar que, de fato, todos temos uma (ou várias) máscaras, e que faz-se necessário aprender a viver com elas
a não perder a essência de cada um, mas ter a humildade de se ver com defeitos, com atitudes, com nuances diferentes,
que não são pecados, que não é o fim do mundo, que não te faz menor ou maior que ninguém. Que te faz, pelo contrário, único,
ímpar neste imenso universo. Pense bem, só há um "você", hoje e sempre, e muitas vezes, tu não te conheces direito, e cobras dos outros
atitudes ou ações que nem mesmo és capaz de tomar.
Foi um dia proveitoso, conheci mais uma máscara minha, e não me assustei...
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluiradorei o post parabens pura verdade! Augusto dos Anjos enfatiza o valor da arte sobre todas as coisas! é incrivel!
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