terça-feira, 14 de abril de 2009

A máscara


"Eu sei que há muito pranto na existência, 
Dores que ferem corações de pedra, 
E onde a vida borbulha e o sangue medra, 
Aí existe a mágoa em sua essência. 
No delírio, porém, da febre ardente 
Da ventura fugaz e transitória 
O peito rompe a capa tormentória 
Para sorrindo palpitar contente. 
 
Assim a turba inconsciente passa, 
Muitos que esgotam do prazer a taça 
Sentem no peito a dor indefinida. 
 
E entre a mágoa que mascra eterna apouca 
A humanidade ri-se e ri-se louca 
No carnaval intérmino da vida."

Auguto dos Anjos.

Sei que já postei essa poesia antes, há um bom tempo, e o que me chama a atenção, é que vez por outra me vejo a lendo
Não sei o que tanto me fascina nesta poesia (obviamente sem considerar a sua própria composição), talvez a sua escola literária,
talvez por achar que, de fato, todos temos uma (ou várias) máscaras, e que faz-se necessário aprender a viver com elas
a não perder a essência de cada um, mas ter a humildade de se ver com defeitos, com atitudes, com nuances diferentes,
que não são pecados, que não é o fim do mundo, que não te faz menor ou maior que ninguém. Que te faz, pelo contrário, único,
ímpar neste imenso universo. Pense bem, só há um "você", hoje e sempre, e muitas vezes, tu não te conheces direito, e cobras dos outros
atitudes ou ações que nem mesmo és capaz de tomar.

Foi um dia proveitoso, conheci mais uma máscara minha, e não me assustei...

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. adorei o post parabens pura verdade! Augusto dos Anjos enfatiza o valor da arte sobre todas as coisas! é incrivel!

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